quarta-feira, 27 de junho de 2012

MEMORIAL

Fui a primogênita em uma família de 5 pessoas. Meus pais, eu, minha irmã, a qual temos apenas felizes 1 ano e 2 meses de diferença, e meu irmão de 7 anos de diferença, no entanto, a relação com eles é muito boa e nem a diferença de idade comprometeu algo com a relação de irmão. Como em toda a família, dentro de suas normalidades e particularidades, há desavenças, reconciliações e os vínculos afetivos que sobrepõe tudo. Até mesmo por que o Amor constrói tudo.

Dentro de minha família, algo que me marcou muito, foi quando meu pai desencarnou em maio de 2010 e isso foi um tanto quanto diferente de lidar. Pois a primeira vez em que vivenciei a separação da morte, foi quando tinha 7 anos de idade, e nem me lembro direito (da dor da perda em si, pois dele eu lembro e muito), do meu avô, pai do meu pai. Com o passar do tempo, meu avô, pai da minha mãe, precisou morar conosco, para que ela cuidasse dele. E veio a falecer em 93 (e eu com 13 anos). Como foi em casa, levou um tempo para acostumar e querer ficar no quarto, que na verdade, era meu e de minha irmã. O medo ás vezes nos paralisa, e embora tivesse medo de escuro, a questão do que era desencarnar, era repleta de indagações minha avó desencarnou quando eu tinha 15 anos (mãe da minha mãe) e quando eu tinha 18 anos, a mãe de meu pai. E embora compreendesse um pouco mais, o medo ainda pairava. Não de morrer, pois disso, nunca tive e não o tenho, mas em como lidar com quem se vai antes de nós. Acredito que pela dor da saudade em si, do contato físico, pois se somos seres humanos, necessitamos do contato, do que é palpável (em partes). Aos 18 anos, perdi um amigo muitíssimo próximo, e foi muito complicado de lidar. Recentemente (a menos de 1 mês), foi minha Amiga-Irmã, na qual temos apenas 8 anos de diferença. Ela é a melhor amiga de minha mãe e a mais de 15 anos, uma “adotou” a outra. Ela como uma Amiga-Mãe e minha mãe como uma Amiga-Filha. Elas moram a uma casa geminada de distância uma da outra. Se veem todos os dias. E juntos, formamos e nos tornamos uma Família. Ela desencarnou aos 39 anos de idade, ficando na Terra, a cumprir sua missão, o marido, uma filha de 18 anos, uma filha de 11 anos e um filho de 6 anos . A quem carinhosamente os chamamos de sobrinhos (e de coração, temos muitos, pois a casa de minha mãe sempre foi e é cercada de Amigos e Crianças). Apelidamos de Família M5, pois o nome de todos se inicia com “M”. A família esta com um dos“M” desfalcados, e me coloco no lugar de meus sobrinhos, por já ter vivido isso com meu pai. E a grande diferença, esta na idade. Quando meu pai desencarnou, eu já tinha 29 anos.

Mas, sentir que quem me deu a vida, quem sempre sabemos (seja consciente ou não) de que os pais são pessoas a quem sempre poderemos contar (ao menos os meus o são) e que o amor deles é incondicional. É como se ficássemos sem ninho, é como se metade do que somos se fosse. Embora, essa mesma metade que “se vai” fica intacta, nas ações e vivências por nós construídas. E é neste momento em que tudo se acalma, pois descobrir que quem faz a passagem, deixa dentro de nós parte da nossa essência e as deles, do que somos e também, do que nos tornamos hoje. E principalmente, que para o Amor (que não é algo palpável), transpõe toda e qualquer barreira, toda e qualquer dimensão. E toda a semente por eles plantadas, principalmente por meu pai e minha mãe, embora nem sempre eles estarão presentes para verem germinar, em algum momento da vida, como aconteceu e acontecerá ao longo de minha existência ela terá seu ciclo de desenvolve-se, crescer, amadurecer, pois enraizada ela já o foi, com cada ensinamento, lição, “puxão de orelha” (bronca), mão estendida, orientação... E é isso, que me conforta e faz serenar.

O lugar no qual eu me sinto grata por ter um equilíbrio e muito me ensinar, como um complemento do que meus pais me deram como instrumento para desenvolver-me, é na vida religiosa. E algo incomum de ver, pois percebo isso em diálogos com amigos, foi a porta que minha mãe deixou para a escolha da religião. A qual sou grata até hoje. Ela sempre ensinou a rezar para o Anjo da Guarda e a fazer o bem. E dizia que quando crescêssemos, encontraríamos cada um o seu caminho a seguir. Por este motivo, não fizemos catequese, primeira comunhão... Fui com minha avó materna, algumas vezes, na igreja católica em grupos de canto. Participei de teatros na igreja evangélica. Fui a festividades budistas (o Ano Novo é maravilhoso) e da umbanda. E aos 12 anos passei a frequentar, junto com minha mãe e irmãos, o Núcleo Espírita Coração de Jesus. Só que só fui me “encontrar” aos 18 anos, quando busquei um curso dentro da doutrina espírita, encontrar as repostas de meus anseios acima relatados, entre muitos outros. E hoje, posso dizer que há 20 anos, sigo por este caminho religioso: Kardecista - Espírita. Poder frequentar e conhecer outras culturas, outras crenças, me faz ter a certeza de que onde me sinto bem é no espiritismo.

E boa parte da minha escolha profissional, se dá por tudo acima mencionado. família, religião, experiências da vida, e principalmente o meu querer, que nem sempre foi almejado, ou sonhado com o que trilho hoje. E para este momento, há que se compreender ainda, uma outra parte de minha jornada.

Sempre acompanhei a trajetória de minha família e percebi a aptidão bem como a atuação na área da saúde, com exceção da minha parte. Minha avó materna, mesmo depois de aposentada, continuou sua atuação profissional no Hospital das Clínicas (HC). Meus pais também trabalharam no HC na área da patologia, (tanto que eu e meus irmão, sabemos uma série de nomes diferentes por conta deles, uns curiosos, outros interessantes, outros, inimagináveis, enfim...). Minha tia, irmã de minha mãe, trabalha até hoje com Holter (aparelho do coração que serve para monitorar o paciente). Minha prima atuou por uns 5 anos como instrumentador cirúrgica. E minha irmã, sempre almejou ser médica de pronto socorro. E eu, desde os 7 anos de idade, a convicção e a certeza de fazer Artes Cênicas, me acompanharam até os 21 anos de idade. Cheguei até a prestar Fuvest para a área. Não passei. Mas, ao crescer, tive que enfrentar a realidade de que de Teatro no Brasil, não se vive. Do ponto de vista financeiro. E, em meio a tudo isso, descobri que havia um sonho maior que o de encenar, o de ter uma família e ser Mãe. E como bem sabemos, as peças“andam” Brasil afora. E quando chegasse o meu momento de constituir a minha família e o materno, como eu faria? E por saber exatamente onde e com quem eu escolhi estar, é que abri mão (em partes) de fazer Artes Cênicas.

E toda a certeza profissional, dava lugar neste momento, a um grande abismo, pois jamais houve outro pensamento que não fosse esse: encenar. Então em meio a minhas melhores viagens, as que faço para dentro de mim, descobri 3 vontades, um tanto quanto peculiar. Direito. Fisioterapia. Educação Especial. Amo a arte da retórica, e nesse ponto, o Direito me desperta para exercê-la. Até mesmo porque, há duas qualidades no ser humano que admiro muito: Senso de Justiça e Iniciativa (atitude). Porém a área de atuação é no DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) e pensei que isso poderia colocar em risco minha família. Então, deixei de lado esta opção. E só voltei a pensar nela, quando houve em meados de 2006, 2007 (não sei ao certo), a suposição de um psicopedagogo, atuando na área da Vara Cível da Infância e Juventude, auxiliando em casos com crianças e adolescentes. Mas, nada foi aprovado. E novamente o “ramo” foi descartado.

Quanto a Fisioterapia, eu desde os 7 anos, tive muitas lesões, torções, luxações, nos pés, pernas e braços. E sei como é a questão da dor, do que é ficar engessada, com tala, enfaixada, e como são as fisioterapias e tudo o mais que ela proporciona. E que talvez, a possibilidade de auxiliar alguém no qual passe por tudo o que eu passei, fosse uma boa escolha. Mas, como mencionei no início, a parte hospitalar, nunca me despertou interesse, no sentido de não saber lidar com o sangue, fraturas expostas e essa parte mais delicada da área médica. Então, mais uma vez, opção descartada.

Foi então, que percebi e senti o quanto a Educação Especial me fascinava. E essa foi a opção para trilhar minha carreira profissional. E a Pedagogia portanto, foi apenas ponte para chegar onde eu determinei. E o fato de gostar muito de aprender e estudar, fez com que através de cursos, hoje tenha um leque de áreas em que posso atuar. Pois o foco de minha graduação é com ênfase em Administração, Supervisão e Coordenação. E no Brasil todo, a instituição Universitária Salesiana de São Paulo –UNISAL, na qual eu me formei, (amo menos na época) haviam 3 faculdades que ministram o curso de Jovens e Adultos, fez aumentar ainda mais as atuações profissionais. Assim como o pedagogo na área hospitalar me encantou e fiz um curso de extensão em 2008 em Pedagogia Hospitalar, na PUC – SP Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. A qual me proporcionou quando cheguei a pouco mais de 3 anos, juntamente com a formação em 2007 na graduação de Pedagogia, atuar atualmente em escolas municipais de Campo Grande, como professora auxiliar da Educação Especial.

E o aprendizado nesta área, só aumentou, pois já realizei o curso de Libras, Altas Habilidades/Superdotação, e a Psicopedagogia vem a complementar tudo isso. Até mesmo porque, almejo atuar no hospital. Só não tive ainda a oportunidade de assim fazê-la. E assim meio sem querer, até eu adentrei, indiretamente, na área da saúde. A história da minha família contribuiu de forma positiva para isso, a minha religião me traz o suporte necessário para lidar com as situações de desencarnes dos alunos/pacientes (como aprendemos a chama-los, no curso de Pedagogia Hospitalar), e com a experiência de hoje tenho a estrutura suficiente para lidar com esta nova área. Os medos, foram amadurecidos de forma a dar lugar ao conhecimento, e no lugar deles a vontade de atuar e fazer diferença para mim e os que da minha profissão dependerem. Seja em um hospital ou na escola. E as minhas escolhas outrora deixadas de lado, convivem comigo o tempo todo, pois como professora a Arte da Retórica se faz presente; o Desenvolvimento Físico ocorre; e a Atuação se da a todo o momento compondo cada parte do que sou em outras faces “representadas” por mim.

E assim eu Sou. Me formo. Atuo. E sigo.

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